Pneumonia, como se proteger?

Pneumonia, como se proteger?

Na pneumonia, os alvéolos e os bronquíolos respiratórios, que se localizam nesse parênquima pulmonar, ficam preenchidos com um líquido resultante dessa inflamação, não sendo capazes de realizar as trocas gasosas e reduzindo a elasticidade do pulmão devido à consolidação das zonas do parênquima, o que provoca dificuldade respiratória.

Quais as causas da pneumonia?

A maior parte das pneumonias é adquirida através da aspiração de bactérias que existem normalmente na parte superior da nasofaringe e se tornam agressivas em determinadas condições. Podem também surgir através de inalação de gotículas infetadas provenientes de outros doentes, como no caso das pneumonias virais. Em casos menos frequentes, a pneumonia surge após a inalação de gotículas infetadas a partir do meio ambiente ou de partículas infetadas com origem em animais.

Os agentes podem ser bactérias, vírus ou fungos, sendo os mais comuns:

  • Streptococcus pneumoniae – a causa mais comum de pneumonia bacteriana;
  • Haemophilus influenzae type b (Hib) – a segunda causa mais frequente de pneumonia bacteriana;
  • Vírus respiratório sincicial, a causa viral mais comum

Quando o sistema imunitário está debilitado, o risco de pneumonia é mais elevado, como acontece na desnutrição, infeção pelo VIH/SIDA e quando existem outras doenças associadas. A poluição, o tabaco e os espaços muito densamente habitados são também fatores de risco para a pneumonia. Os idosos, pessoas que vivem em instituições sociais ou lares, alcoólicos ou toxicodependentes, são outros grupos de risco.

As pneumonias adquiridas no hospital são particularmente graves porque nos hospitais existe uma grande variedade de microrganismos, alguns dos quais muito resistentes aos antibióticos, e que podem causar pneumonia nos doentes internados por outros motivos. A situação é agravada pelo facto de muitos destes doentes terem outras doenças associadas ou estarem sujeitos a medicações que diminuem a sua capacidade de defesa.

Saiba como diagnosticar uma pneumonia!

O diagnóstico depende da história clínica e do exame médico. A radiografia torácica é imprescindível para garantir o diagnóstico de pneumonia e excluir outras doenças que possam dar sintomas do mesmo tipo. Infelizmente nem sempre existem condições para se obter a radiografia em tempo útil mas os sintomas e o modo como se estabeleceram, permitem um correcto diagnóstico clínico. De qualquer modo, a radiografia torna-se imprescindível se não houver melhoria em 48 a 72 horas ou se o doente tem factores de risco que facilitem o aparecimento de complicações. A tomografia computorizada pode fornecer imagens de melhor resolução do que a radiografia e, por isso, em alguns casos, poderá estar indicada. Para lá da radiografia, poderão ser pedidas análises ao sangue que ajudem a identificar o agente infeccioso. Podem ser igualmente realizadas análises da expectoração. Em casos mais graves, poderá estar indicada a colheita de líquido pleural ou a realização de uma broncoscopia.

Como tratar a pneumonia?

Na maioria dos casos, talvez mais de 80%, o tratamento faz-se em ambulatório não sendo necessário internamento. Este está indicado quando o doente apresenta outros problemas de saúde, quando a evolução da pneumonia não decorre de modo favorável nas primeiras 48 a 72 horas, quando ocorre um agravamento dos sintomas ou do quadro clínico ou quando surgem complicações. O tratamento baseia-se em antibióticos, quase sempre por via oral, e outras medidas de apoio conforme necessário (medicamentos para a febre, tosse, etc.). Nas pneumonias virais, poderão estar indicados medicamentos antivirais.

O que deve fazer para prevenir uma pneumonia?

A vacina da gripe e a vacina pneumocócica podem ser administradas ao mesmo tempo, mas em locais distintos. A vacina protege as pessoas das formas mais agressivas da doença devendo, por isso, ser administrada às que apresentam maior risco de saúde, como os idosos com idade superior a 65 anos, os que vivem em lares ou noutras instituições, os que têm doenças crónicas, os sujeitos a tratamentos que debilitam as suas defesas, as grávidas e os prestadores de cuidados de saúde e todos os que convivem com pessoas em maior risco. Sabe-se que a infeção viral recente favorece o aparecimento de determinados tipos de pneumonia e aumenta a probabilidade de complicações, pelo que é importante que as pessoas, sobretudo aquelas que apresentam mais fatores de risco, se vacinem contra a gripe. Uma nutrição adequada estimula as defesas naturais e ajuda a prevenir o desenvolvimento de pneumonia. O controlo da poluição e uma boa higiene, sobretudo em casas com famílias numerosas, são outras medidas importantes.

Em Portugal são comercializadas duas vacinas contra os pneumococos, as principais bactérias responsáveis pelas pneumonias. São as duas injetáveis e constituídas por fragmentos de vários tipos de pneumococos responsáveis pela maioria das infeções mais graves provocadas por esta bactéria. A chamada vacina antipneumocócica conjugada pediátrica, tem indicação para ser utilizada em crianças entre os 6 meses e os 5 anos e confere proteção contra sete diferentes tipos de pneumococos. É comercializada no nosso país e os pediatras administram-na aos 2, 4 e 6 meses, reforçando a vacinação aos 18-24 meses. A outra vacina antipneumocócica poliosídica, comercializada no nosso país confere proteção contra 23 tipos diferentes de pneumococo e está indicada para crianças com idade superior a dois anos e para adultos.

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